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Terça-feira, 08 de Setembro 2026
Notícias História do Rio Grande do Sul

Entre o pampa e a cidade: uma análise da evolução da identidade gaúcha

Em apresentação virtual, o professor José Augusto Fiorin desvenda a construção histórica do gaúcho, diferenciando o tipo social do passado rural da figura do tradicionalista urbano contemporâneo.

Entre o pampa e a cidade: uma análise da evolução da identidade gaúcha
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Um mergulho profundo nas raízes formadoras do Rio Grande do Sul. É com essa proposta que a palestra intitulada "Gaúcho e identidade riograndense" conduz um diálogo rico em significados sobre como se deu a construção histórica da identidade cultural gaúcha e como ela se reflete nos dias de hoje.

A apresentação explora os conceitos da pesquisa que deu origem à obra "Do gaúcho ao tradicionalista: imagem, identidade e representação", estruturando a reflexão nos seguintes assuntos centrais:

  • Diferenciação entre Gaúcho e Tradicionalista: A premissa fundamental da palestra estabelece a clara distinção entre o "gaúcho histórico", um tipo social puramente rural forjado nos séculos passados, e o "tradicionalista", que surge como um movimento cultural organizado e urbano ao longo do século XX.

    Leia Também:

  • Miscigenação e Formação Social: O gaúcho histórico é apresentado como o resultado direto de um intenso processo aculturativo. Essa figura nasceu do encontro e da integração forçada entre indígenas, brancos europeus (especialmente espanhóis e portugueses) e africanos na América do Sul.

  • O Cenário do Pampa: O bioma pampeano é evidenciado como o palco geográfico e biológico indispensável para o surgimento desse indivíduo. A imensidão de seu relevo plano, estendendo-se do Rio Grande do Sul aos territórios platinos, moldou o modo de vida da época.

  • O Peso da Literatura: A consolidação visual e comportamental do gaúcho foi fortemente imortalizada pela literatura. A palestra destaca o impacto das descrições minuciosas de Érico Veríssimo, no lado brasileiro, e a influência épica de "Martín Fierro", de José Hernández, na Argentina.

  • A Recriação Urbana das Tradições: O movimento tradicionalista contemporâneo, que ganha força no final da década de 1940, utiliza o folclore para buscar conexão com aquele passado. Isso fica evidente na organização dos CTGs, que funcionam nas cidades, mas recriam artificialmente a hierarquia de uma estância (patrão, peão e capataz).

A conferência evidencia que a história não é estática, mas um processo de constante movimento. Revisitar a formação dessas identidades prova que compreender o passado é um exercício indispensável para o autoconhecimento cultural, permitindo que se saiba com clareza para onde o Rio Grande do Sul caminha no futuro.

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