A cultura missioneira e o cancioneiro gaúcho ganham um novo e emocionante registro histórico com o lançamento de "O Último Tronco". A obra musical surge como um tributo profundo à memória de Pedro Ortaça, o derradeiro pilar dos lendários Quatro Troncos Missioneiros, cuja voz e "timbre de galo" agora se eternizam na história. A canção é fruto de uma colaboração artística que une a poesia de José Augusto Fiorin, a melodia de Xuxu Nunes e a interpretação marcante de Rodrigo Gonçalves.
O título da composição faz uma alusão direta à importância de Ortaça como o último remanescente do icônico grupo que forjou a identidade musical das Missões, ao lado de Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany. A letra assinada por José Augusto Fiorin constrói uma narrativa que mescla o luto terreno com a exaltação celestial. A composição descreve o pranto da terra vermelha das Sete Missões, o lamento no altar das reduções e, finalmente, o reencontro espiritual dos quatro ícones da música gaúcha no "galpão do firmamento".
A melodia concebida por Xuxu Nunes confere à obra o peso, a ancestralidade e a reverência que a despedida de um mestre exige. Em sinergia com os acordes, a voz de Rodrigo Gonçalves traduz o sentimento de saudade e o orgulho cultural de uma região que vê seu último grande ícone partir no "silêncio de maio". A interpretação resgata a força do canto guarani e a herança jesuítica, elementos inseparáveis da trajetória de Ortaça e de seu violão de "cordas feitas de veia".
Para além da tristeza da despedida, "O Último Tronco" é um manifesto sobre a imortalidade da arte. Ao sentenciar que "Pedro Ortaça é legenda", a composição decreta que, embora o homem tenha partido para cantar em outra planura, sua cultura, sua fibra e sua luz continuam ecoando com a imponência de um trovão pelo chão de sua aldeia.
Abaixo, a homenagem que reverencia o cantor das Missões.
O Último Tronco
Letra: José Augusto Fiorin | Melodia: Xuxu Nunes | Interpretação: Rodrigo Gonçalves
Tombou-se o cerno do angico falquejando na minguante, Silenciou o timbre de galo do missioneiro cantante. Os sinos missioneiros dobram tristes nesta hora, Quanto eterniza a memória do canto que ganha a aurora.
O altar das reduções veste o poncho do lamento, E o próprio fogo de chão chora solto contra o vento. A seiva missioneira volta à terra que brotou Quando o último tronco para o além se bandeou!
Refrão São Pedro abra as porteiras e receba teu tocaio, Soprou um vento minuano pelo silêncio de maio Ecoa o pranto de pedra no chão das Sete Missões, Onde a herança jesuítica batizou suas canções.
Desperta a fúria e o canto do ancestral guarani, Na terra santa e vermelha que hoje chora por ti Pedro Ortaça é legenda, evoca fibra e luz, O último tronco fincado na sombra da santa cruz!
Quatro troncos se abraçam no galpão do firmamento, Com Jayme, Cenair e Noel vencendo o esquecimento. O orgulho Gaúcho pulsa - na herança missioneira E derramou nossa essência além de qualquer fronteira
Cala-se o sopro do bronze nas ruínas que o tempo guarda, Mas o clarim da memória na retaguarda não tarda. Teu violão missioneiro, com cordas feitas de veia, Deixou o sangue sagrado vertendo na nossa aldeia.
Refrão Para cantar com anjos partiu a outra planura Enquanto esteve entre nós honrou a nossa cultura Teu canto se faz sagrado na imponência de um trovão De um cantador nativo que sempre cantou seu chão!
Desperta a fúria e o canto do ancestral guarani, Na terra santa e vermelha que hoje chora por ti Pedro Ortaça é legenda, evoca fibra e luz, O último tronco fincado na sombra da santa cruz!
Professor Fiorin