A chegada da Semana da Pátria e do 7 de setembro costuma encher as ruas de desfiles e discursos comemorativos. No entanto, a data exige uma análise mais profunda do que os tradicionais festejos. O que realmente significa ser uma nação independente?
Essa é a provocação central feita por José Augusto Fiorin em um vídeo que convida os brasileiros a uma necessária reflexão histórica e sociológica sobre a formação do nosso país. Mais do que celebrar o ano de 1822, é preciso compreender como o Brasil foi moldado e os impactos dessa estrutura na nossa sociedade atual.
Uma independência diferente
Ao contrário dos vizinhos da América Espanhola — que romperam com a metrópole e se dividiram em várias repúblicas independentes —, o Brasil viveu um processo peculiar. A nossa independência foi conduzida pelo filho do próprio rei colonizador, Dom João VI. Saímos da condição de colônia para nos tornarmos um Império sob o comando de Dom Pedro I, atrasando a chegada da República até 1889.
Essa manutenção da unidade territorial criou um país de dimensões continentais, abrigando "vários Brasis" com profundas diferenças culturais e econômicas, o que até hoje impõe um desafio complexo à gestão pública e ao pacto federativo.
A conta que não fecha
A reflexão vai além dos livros de história e esbarra na realidade do bolso e dos direitos do cidadão moderno. A verdadeira independência esbarra na dependência econômica e na relação do Estado com a população. Hoje, o Brasil ostenta uma das maiores cargas tributárias do mundo. Contudo, quem produz e paga impostos raramente vê esse recurso retornar de forma justa em políticas públicas, saúde, educação e segurança.
Essa falha na devolução dos recursos à sociedade levanta um questionamento sobre o nosso Estado Democrático de Direito. Segundo a análise de Fiorin, a democracia brasileira ainda é "imatura e prematura". Ao longo da história, nossos curtos períodos democráticos foram frequentemente marcados por corrupção, desvios e incapacidade dos poderes constituídos de garantir as prerrogativas legais aos cidadãos.
Refletir é exercer a cidadania
O Brasil inegavelmente avançou, desenvolveu-se e possui um potencial econômico gigantesco graças às suas riquezas naturais. Porém, esse potencial perde o sentido se não for convertido em qualidade de vida para a população.
Comemorar o 7 de setembro deve ser, antes de tudo, um ato de consciência. Olhar para o passado e compreender como fomos colonizados, explorados e governados é o primeiro passo para o exercício real da cidadania. Somente entendendo os erros e as injustiças da nossa trajetória será possível responder para onde queremos ir no futuro.
Professor Fiorin